quarta-feira, 30 de março de 2011

Enumerando os últimos acontecimentos

  • Terça passada a dona da casa em que moro morreu de acidente de carro. Um acidente bem feio. Fiquei impressionada e por dois dias dormir de olhos abertos, ou seja, não dormi.
  • No sábado estava em Ourinhos, no hospital com minha sogra (que, por sua vez, não estava passando bem), e meu melhor amigo me ligou dizendo que o avô dele havia falecido. Passei a noite de sábado tentando tirar um sorrisinho do rosto dele.
  • Segunda-feira a mais sensível de todas as chefes me chama pra conversar e dizer que meu salário cairia 220 reais e que eu teria que devolver 3480 reais pra prefeitura. Dinheiro PÚBLICO. Por erro dos outros. Liguei pro meu tio advogado e ele me instruiu a devolver o dinheiro, mesmo não sendo culpa minha. Ou seja, vou perder 10% do meu salário e ainda encher o rabo dos outros de dinheiro.
  • Hoje minha sogra piorou. Meu namorado (noivo, na verdade, mas nunca acostumarei) tá vindo de São Paulo. Minha cunhada tá aos prantos. Meu sogro tá brigando com todo mundo. As tias deles estão correndo atrás da quimioterapia atrasada. Eu tô sozinha aqui em Águas sem poder ajudar ninguém.
Conclusão:
Danem-se os 220 reais. Dane-se a grana que tenho que devolver pros bosta.
Eu quero meu amigo bem, quero ouvir as suas histórias de putaria sem aqueles olhinhos tristes.
Eu quero a dona da minha casa em paz, sem susto nenhum.
Eu quero meu namorado FELIZ, com sua mãe por perto, vendo a gente casar. Se não há cura, que pelo menos ela fique mais tempo com a gente, porque o Emiliano precisa de mãe.

Então é o seguinte: sei que precisamos ser positivos. E na maioria das vezes eu tento ser. Estou sendo. Estou muito positiva (tirando a parte do dinheiro perdido). Tenho certeza que as coisas vão melhorar daqui a pouco. Mas como esse blog é minha válvula de escape, preciso dizer algumas coisas:
CARALHO
MERDA
PUTA QUE PARIU
BOSTA
CACETE
BUCETA PELUDA
CU ARREGAÇADO
TOMAR NO CU
FILHO DUMA ÉGUA
VAI SE FUDER

Porque eu mereço falar palavrão. Pelo menos aqui, vai.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Pra quê?

Então estudar dois anos todo santo sábado não me valeu de porra nenhuma.
Eu acordava seis e meia da manhã aos sábados depois de ter trabalhado a semana toda e aguentado a vagabunda da minha ex-chefe me dizer que eu era incompetente. Me arrumava e ia pro Paraná. Eu cruzava a fronteira entre São Paulo e Paraná todo sábado. Não que isso demorasse muito, mas eu cruzava. E pagava aquele pedágio caro. DEZ reais ida e DEZ reais volta. Aguentei colega de pós metida a sabichona. Quase morri e quase matei na época da monografia. Paguei caro. Pra quê? Pra nega vir e me falar que minha pós não vale os meus 10% de aumento. Pra nega olhar pra minha cara e dizer que somente pós acima de 800 horas vale. Pra nega ter a coragem de me falar que vou ter que devolver três mil e quatrocentos reais pra prefeitura. Pro prefeito. Pro incompetente do prefeito.
Eu me matei, gente.
Eu perdi férias pra passar nesse concurso dessa prefeitura. Eu perdi férias, dias, horas da minha vida estudando pra essa bosta. Eu fiquei um ano sem comer chocolate. Eu tô há dois anos longe da minha familia, dos meus amigos e do meu namorado. E já perdi as contas de quantas coisas erradas já vi essa prefeitura fazer. Essa dissimulada falar. Professoras sofrerem. Perdi as contas.
Tô cansada e achando que nada disso valeu a pena, porque não valeu. E o que posso fazer? Nada. Porque sou pobre, porque sou burra e porque sou retardada e penso 3mil vezes antes de agir. Dai venho aqui e fico dialogando comigo mesma, e amanhã vou abrir um belo sorriso e dar um lindo BOM DIA pra todas as pessoas que estão me fazendo passar por essa tristeza.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Receita de gente preguiçosa

Todo mundo sabe que eu só cozinho em último caso. Tenho preguiça de mexer em panela, pavor de gás e nunca uso o forno nem a panela de pressão. Coisas de gente doente.
Mas no último ano decidi levar uma vida mais saudável. Tirei da minha dieta de almoço o miojo, ruffles, lasanha congelada e hambúrguer pronto. Faço arroz, palmito na manteiga, carne moída, picadinho, cozinho espiga de milho, até arrisquei fazer pão. A coisa que mais como nessa vida é atum enlatado. Ok, eu sei que não é saudável, mas é melhor que ruffles no almoço. Pelo menos eu misturo com arroz e feijão e finjo que é uma refeição valorizada.
Por isso passarei aqui minha receitinha de patê de atum enlatado com sobra do carnaval:

Patê de atum enlatado com sobra do carnaval da Clara

-1 lata de patê de atum com molho de tomate (na verdade é sem molho, mas comprei errado)
-meia (não sei como faz meia em número nesse teclado) lata de milho verde
-6 azeitonas verdes picadas
-3 colheres cheias de maionese

Misturar os ingredientes num pote de sorvete vazio. Servir com torradas e batata palha.
Voíla!!!
Está pronto nosso querido patê.
Bom apetite.
Um dia vou almoçar somente folhas e um peixinho grelhado, SE DEUS PERMITIR.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Doce ofício

Sumi.
As aulas recomeçaram, e apesar de ter menos turmas esse ano, tá puxado.
Temos novos projetos, como o da reciclagem. Toda quarta-feira, os alunos devem levar seus lixos recicláveis pra escola. Na quinta, um coletor vai buscar. A sala que mais arrecadar lixo no mês ganha um passeio. E é claro que os anjinhos estão muito comprometidos com a situação. Toda quarta a escola fica cheia de pais carregando caixas e mais caixas de livros velhos, apostilas e revistas, que é o que mais pesa. Outra coisa que têm levado muito é ferro velho. Apareceu até uma máquina de costura. Tsc, como eu sou ingênua. Apareci com minhas singelas garrafas, latinhas e potes de iogurte...
Durante o ano letivo fico bem famosa. Ontem resolvi ir pra academia caminhando. Não é longe, fica a uns seis quarteirões. Eu parecia o Flautista de Hamelin. Crianças brotavam da terra e iam me seguindo na rua. De bicicleta, à pé, de skate... quanto mais eu andava, mais crianças apareciam. Todas querendo falar ao mesmo tempo. Vocês podem até achar exagero, mas aqui eu não minto. Posso até contar uma mentirinha no meu dia-a-dia, mas aqui não posso mentir. Não pra vocês. Os capetas me seguiram na rua e teve até um que brincou de me atropelar com a bicicleta.
Assim eu sigo com minha vida. Umas aulas, uns concursos, uns problemas...volto quando a inspiração estiver comigo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O episódio das vizinhas velhotas

Tenho que começar este post contando que sou uma pessoa de confiança. A família Pedrão CONFIOU EM MIM e me deixou tomando conta da casa deles enquanto se divertem em São Paulo. Pois bem. Estamos aqui, os cachorros e eu, numa casa de três quartos enormes, sala, copa, cozinha e dois banheiros. Fora o quintal. O quintal é imenso e dividido em três partes: frente, lado e fundo. Os cachorros já nem sabem mais o que fazem. Até estão querendo ir embora, não querem mais um quintal grande, querem terra pra cavar buracos.
Ontem eu estava no quintal da frente, distraindo os cachorros, quando me aparece no portão Dona Lúcia, a vizinha de 75 anos. Não sabia que eu estava aqui, mas agora que sabia, queria que eu fosse na casa dela a noite. Me convidou pra ficar lá "até umas nove, nove e meia". Aqui eu paro a história pra dizer que, quem me conhece, sabe que eu pago pra não ir na casa de ninguém. Mas eu tava entediada, a novela das sete tinha acabado e os cachorros estavam dormindo. Comi um lanche enorme de bacon e calabresa, tomei uma coca 600ml e não me restava outra coisa a fazer. Sem questionar o destino, fui na casa de Dona Lúcia.
Ali estava, além da dona da casa, Dona Zilda, outra vizinha de 80 anos. Assistiam ao Jornal Nacional e telefonavam pros parentes a fim de saber mais detalhes da tragédia no Estado do Rio. Comentavam coisas do tipo "Nunca mais piso naquela estrada" e "Jesus está tentando falar com os homens". Me deram um lugar no sofá e um banquinho pra apoiar meus pés. Fiquei curtindo aquele momento como se fosse único. A cada comentário, uma nova estratégia de prender o fôlego pra não dar risada. 
Começou a novela das oito e Dona Lúcia foi fazer pipoca e suco de manga. Me fez comer, apesar de eu ter dito que já tinha jantado (um x-bacon calabresa). Me fez beber dois copos de suco. Me fez experimentar um quibe cru. Mais comentários do tipo "Eu tenho certeza que o Agnello tá com a Estela só pra ficar com o dinheiro dela". Faltando dois dias pra acabar a novela, elas ainda alimentavam essa esperança.
Apesar de me divertir com as velhinhas, ainda sou uma pessoa antissocial, por isso inventei a desculpa de que tinha que mandar um documento pro Emiliano pela internet e vim pra casa passar mal (de tanto comer) e ler meu livro.
 Essas velhinhas me lembraram muito minha avó, mas sinto decepcionar vocês, este não é um texto de reflexão, nem de saudade.
As velhas me lembraram minha vó porque, ao ver as pessoas soterradas nas cenas do JN, Dona Lúcia exclamou com emoção e verdade: "Nossa, tá todo mundo FUDIDO! Se fuderam!" 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo

"I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don´t you like me?
Why don´t you like me?
Why don´t you walk out the door!"

É com as palavras do meu novo amigo Mika que inicio 2011. Porque, por mais que tentamos agradar todo mundo, sempre tem um filho da puta que vai nos criticar.
Minha wishlist, como sempre, foi feita no dia 31 de dezembro, guardada na minha carteira (porque, ao contrário de todas as mulheres do mundo, eu mal uso bolsa) e devidamente esquecida para somente ser lembrada no próximo 31/12.
Mas só para reforçar, em 2011 eu quero:

-Mudar de emprego;
-Mudar pra São Paulo;
-Carregar a cachorrada comigo;
-Vender meu carro e comprar um Strada cabine estendida (porque sou uma mãe zelosa, mas tô cansada de ter pelos de cachorros espalhados no banco de trás);
-Me manter saudável, e de preferência com uns 4 ou 5 quilos a menos;
-Juntar dinheiro.

É pedir muito?
Eu queria adotar outro cachorrinho também, mas sei que isso não posso. Se cuidar de quatro já é bravo, imagina mais um. Mas assim que eu ficar rica e realizar meu projeto "Recanto Costelinha", poderei ter centenas deles.
Enquanto pobre, a vida de uma pessoa é feita de escolhas.
E assim inicio meu ano e finalizo este post aviadado.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre a cafona arte de amar

O amor...
Não existe definição nem explicação para o amor, tampouco sobre o que nos tornamos quando amamos. A única certeza nessa vida é que, quando amamos, nos tornamos cafonas.
A gente é criança e ama os pais e mais ninguém.
Cresce mais um pouco, se apaixona pelo vizinho da avó, e a melhor sensação do mundo é escolher o seu amado na brincadeira Salada Mista. Ouve Mara Maravilha e Raça Negra para pensar no seu querido, imagina vocês dois correndo juntos de mãos dadas... ah, o amor.
Uns anos depois experimenta o amor platônico pelo primo da amiga. Somente dor e sofrimento podem definir essa passagem da vida. Escreve paródias de músicas sobre a paixão que sente, dorme o máximo possivel para poder sonhar com seu pretendente. Quando ele chega na sua cidade, se esconde dentro de casa o máximo que puder para não cruzar seu caminho... mas fica de butuca na janela pra dar uma espiadinha quando ele passar.
O tempo passa e o amor platônico não tem mais graça. A vez agora é do amor proibido. Vocês sabem que não vai dar certo. Os amigos não se bicam, a familia não apoia e não há assunto para ser conversado. Mas vocês insistem porque se amam muito, mesmo que desejem vez ou outra ficar com outras pessoas.
Um dia acontece. Ele chega de verdade, o amor. E quando chega você finalmente sabe de tudo, você se lembra de tudo. É como se estivesse dormindo esse tempo todo.
E você, que antes não tinha planos com ninguém, a não ser com você mesma, começa a ver seu futuro claramente numa bola de cristal. Faz planos, traça objetivos. Quer comemorar o amor que você sente, festejar. Quer a familia e os amigos perto de você. Quer ouvir suas músicas preferidas, comer a comida que você mais gosta, vestir a roupa mais linda do mundo e agradecer a quem te deu de presente o AMOR.
Você quer casar, mesmo que isso signifique gastar o dinheiro que você não tem e ter que convidar aquele parente chato. Sabe que vai ouvir opiniões contrárias, familiares e amigos dizendo que é desnecessário, que é brega, que é fora de moda e que nós já somos casados, que é melhor pegar o dinheiro e fazer uma viagem pela Europa ou dar entrada em um apartamento. Todos podem dizer qualquer coisa. Você quer casar. Você teve o privilégio de encontrar o amor e quer mostrar pra todo mundo isso. Você é cafona, o amor é cafona. Você ama.
Abre um caderno e dá início à coisa mais cafona que você vai fazer na sua vida.
Começa a planejar seu casamento.
"Love is all, love is you"