quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mamona-na-nas

Faz um mês, mais ou menos, que entrei em uma determinada sala do quinto ano e um pentelho pediu pra eu colocar um cd. Perguntei que cd era. Ele disse que era dos Mamonas Assassinas, que era muito legal e eu tinha que escutar. Haha. Coitadinho. Mexeu com a pessoa errada.
Dai eu disse que não podia tocar aquele cd na classe, primeiro porque não tinha nada de música na minha rotina (muito menos música dos Mamonas), segundo que mesmo se tivesse eu não poderia por pra tocar um cd que contém tanto palavrão, que as chefes iam me esfolar viva e blablabla. Mas que eu conhecia Mamonas e adorava. Que eu estava muito além deles, pobres crianças que só os conhecem pelas músicas e um dvdzinho mal feito. Que eu já tinha ido a um show deles. SIM! Eu fui num show dos Mamonas Assassinas! O menino duvidou e deu risada da minha cara. Como eu já disse, ele mexeu com a pessoa errada. A pessoa dona deste blog é totalmente apegada às coisas materiais. Eu fucei nas minhas caixas e encontrei uma das minhas trocentas agendas antigas, e dentro dela havia metaaaaaade do ingresso do show! Juntei com minha super pasta de recortes de revistas de 95 e 96 e vou levar t.u.d.o amanhã pra esfregar na cara do moleque!
Agora é sério. Os Mamonas foram meus primeiros ídolos. Chorei horrores quando eles morreram, ficava trancada no meu quartinho de estudos fazendo paródias das músicas deles, um horror mesmo. Eu tinha 12 anos quando, no dia 30 de novembro de 1995, meus pais me levaram pro show deles lá em Araraquara. Nunca tinha ido a um show, nunca tinha visto uma coisa tão linda daquelas antes, aquelas guitarras do Bento, aquele solo de bateria do Sergio, aquele carisma do Dinho... foi uma das melhores coisas da minha pré-adolescência, senão a melhor. Depois disso fudeu tudo de vez, meus pais se separaram, eu fui embora e virei essa louca que vocês conhecem.
E a louca vai esfregar a felicidade estampada em meio ingresso na cara de seus 20 aluninhos de 10 anos amanhã! Torçam por minha vitória.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Hoje, segundona, o dia começou errado, tá errado e provavelmente a semana toda vai ser errada. Dia perfeito para entoarmos nosso querido hino!

"Eu NÃO SOU DA SUA RUA (porra)
Eu NÃO SOU O SEU VIZINHO (cacete)
Eu moro muito longe
S.O.Z.I.N.H.O (entendeu? Sozinho)
Estou aqui
DE PASSAGEM"
Marisa Monte

De passaaaageeemmmm, seus bosta.

domingo, 18 de abril de 2010

Tá tudo errado... o São Paulo perdendo, o feriado no meio da semana, o Marelo comendo cobertor, o bendito berço queimado, a noiva entrando sozinha, a psicóloga que só dá conselho que eu já sigo faz tempo, a sandália que custa caro, fora a parte séria da situação, tudo errado, tudo tudo tudo... o que fazer nessas horas?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

De volta ao lar

Meu lar é esse blog, eu voltei e agora é pra ficar. Vamos aos fatos.
Nos últimos 13 dias eu fui acusada de não entregar minhas rotinas, tive uma cistite que me deu vontade de nunca mais mijar, vi a Danielle Winits se transformar em ser humano, fiz academia, faltei da academia, engordei, emagreci, escrevi um monte de merda no twitter, trabalhei bastante, arrumei uma psicóloga, passeei com meus cachorrinhos, recebi cinco convites de casamento e, o mais importante, fui pra minha terra-natal rever minhas origens.
Lá é um lugar que me sinto muito bem e minhas energias ficam todas positivas. Não sei por que, mas acho que é pelo simples fato de que nasci lá e minha mais antigas lembranças estão lá. Voltei pra ASB feliz e disposta a dar o melhor de mim no que tenho pra agora. Estou aqui com meus príncipes caninos, ganhando bem, com uma casinha, tv, computador e comida. Minha fase atual continua sendo egoísta, mais do que de costume, e solitária. Antes era um inferno, mas agora estou bem assim. Que seja eterno enquanto dure, seja egoísta você também e viva a solidão por um tempo. A gente precisa disso às vezes.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Just a problem

Não é porque eu sujei a roupa bem agora que eu estava saindo
Nem mesmo porque eu peguei o maior trânsito e acabei perdendo o cinema
Não é porque eu não acho o papel onde anotei o telefone que eu tô precisando
Nem mesmo o dedo que eu cortei abrindo a lata e continua sangrando
Não é porque eu fui mal na prova de geometria e periga d´eu repetir de ano
Nem mesmo o meu carro que parou de madrugada só por falta de gasolina
Não é porque tá muito frio
Não é porque tá muito calor

O problema é que eu te amo
Não tenho dúvidas que com você daria certo
Juntos faríamos tantos planos
Com você meu mundo ficaria completo
Eu vejo nossos filhos brincando
E depois cresceriam e nos dariam os netos
(Nando Reis)

Ok, exclua a parte dos filhos. E dos netos.

terça-feira, 9 de março de 2010

EU SÓ QUERO

EU SÓ QUERO UM, OLHA MEU DEDINHO (INDICADOR APONTANDO PRO ALTO), SÓ UM EMPREGUINHO DE REVISORA, SÓ UM. SÓ UM. OLHA MEU DEDINHO, OLHA AQUI. SÓ UM.

(utilizando a técnica do João de pedir as coisas pra pedir um empreguinho de revisora-só um!)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

To be or not to be

Então. Eu vivo uma crise profissional das bravas. Tava rezando pra encontrar um emprego de revisora de texto antes das minhas férias acabarem, mas infelizmente meu currículo não é bacana o suficiente pra isso (ou o Catho que deve ser uma bosta, mesmo) e tive que voltar à sala de aula. Às salas de aula, porque este ano tenho 22 turmas. É sobre isso que quero falar, sobre a dificuldade que é ser PEB II não ter voz autoritária como tem uma PEB I.
Comecei em 2007 a dar aula pra crianças em uma Emef da minha antiga cidade e lá as professoras eram muito bravas, gritavam o tempo todo e ninguém podia levantar do lugar em momento algum. Fora os chacoalhões que fingíamos que não existiam, mas dentro de cada uma existia um pequeno ser chacoalhador de crianças, que aparecia nas horas do desespero e depois ia embora como se nunca tivesse dado as caras.
Como eu rodava de sala em sala, a vida parecia uma festa quando era hora da aula de inglês. Eu ficava puta com os alunos, berrava, ficava surda, fazia chantagem. Queria os alunos em silêncio, igual encontrei quando cheguei na sala. Mas eles não me respeitavam, pelo menos é o que parecia. Que porra de professora era eu, afinal de contas? Não conseguia fazer 20 crianças ficarem sentadas em silêncio por quê?
O tempo passou e fui dar aula na cidade maldita. Lá, a diretora não deixava ninguém gritar e quando um aluno era colocado de castigo na diretoria, ela dava um game boy pra ele se distrair enquanto não podia voltar pra sala. A vida era um inferno não só pra mim, porque as professoras de sala (PEB I, tá gente? Vamos aprender as gírias do nosso mundinho) também não seguravam os alunos. Fiquei pior ainda.
Enfim, cheguei nessa escola onde estou hoje, que ficaria no meio termo dessas duas que citei. Nunca ouvi uma professora dar um grito, chacoalhão muito menos. Mas os alunos são bem mais calmos e nenhum aluno foi sem educação comigo. No entanto, ainda vivia a crise do "não sei porque eles são mais agitados na minha aula do que com a PEB I". Será que sou tão boazinha assim? Tão tonta? O que preciso fazer pra ter cara de ruim?
Ontem de manhã eles estavam fazendo a lição de inglês quando um comentou sobre a série CSI em voz alta. Em vez de eu mandar ele ficar quieto e fazer a lição, perguntei se ele assistia, falei sobre outros seriados, depois acabou o assunto e todos voltaram a fazer a lição. No fim da aula, esse aluno chegou pra mim e disse: "por isso que eu gosto de você, tia, as outras professoras não conversam com a gente sobre essas coisas." A tarde eu dei aula de Oficina de Texto pra primeira série e contei a história da Chapeuzinho Vermelho com minha incrível boneca 3 em 1 que é Chapeuzinho, Vovó e Lobo Mau ao mesmo tempo. Os olhinhos brilhando e o sorriso de cada aluno me fez quase chorar lá na frente.
Quer saber de uma coisa? Eu posso não ser a mais brava das professoras, posso nem gostar da minha profissão, mas ontem eu aprendi que cada um é cada um, não posso fingir ser em sala de aula o que eu não sou fora dela. Eu adoro conversar com eles. Não os trato como as criancinhas que devem receber lição de moral a toda hora. Eles também sabem conversar. E garanto que aprendo muito com eles todos os dias. Pretendo em 2010 encerrar minha carreira em sala de aula, mas levo em meu caminho o brilho nos olhos de cada um daquela primeira série de ontem que me ouviu fazendo voz de Lobo Mau e cantando "pela estrada afora, eu vou bem sozinha..."