domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre a cafona arte de amar

O amor...
Não existe definição nem explicação para o amor, tampouco sobre o que nos tornamos quando amamos. A única certeza nessa vida é que, quando amamos, nos tornamos cafonas.
A gente é criança e ama os pais e mais ninguém.
Cresce mais um pouco, se apaixona pelo vizinho da avó, e a melhor sensação do mundo é escolher o seu amado na brincadeira Salada Mista. Ouve Mara Maravilha e Raça Negra para pensar no seu querido, imagina vocês dois correndo juntos de mãos dadas... ah, o amor.
Uns anos depois experimenta o amor platônico pelo primo da amiga. Somente dor e sofrimento podem definir essa passagem da vida. Escreve paródias de músicas sobre a paixão que sente, dorme o máximo possivel para poder sonhar com seu pretendente. Quando ele chega na sua cidade, se esconde dentro de casa o máximo que puder para não cruzar seu caminho... mas fica de butuca na janela pra dar uma espiadinha quando ele passar.
O tempo passa e o amor platônico não tem mais graça. A vez agora é do amor proibido. Vocês sabem que não vai dar certo. Os amigos não se bicam, a familia não apoia e não há assunto para ser conversado. Mas vocês insistem porque se amam muito, mesmo que desejem vez ou outra ficar com outras pessoas.
Um dia acontece. Ele chega de verdade, o amor. E quando chega você finalmente sabe de tudo, você se lembra de tudo. É como se estivesse dormindo esse tempo todo.
E você, que antes não tinha planos com ninguém, a não ser com você mesma, começa a ver seu futuro claramente numa bola de cristal. Faz planos, traça objetivos. Quer comemorar o amor que você sente, festejar. Quer a familia e os amigos perto de você. Quer ouvir suas músicas preferidas, comer a comida que você mais gosta, vestir a roupa mais linda do mundo e agradecer a quem te deu de presente o AMOR.
Você quer casar, mesmo que isso signifique gastar o dinheiro que você não tem e ter que convidar aquele parente chato. Sabe que vai ouvir opiniões contrárias, familiares e amigos dizendo que é desnecessário, que é brega, que é fora de moda e que nós já somos casados, que é melhor pegar o dinheiro e fazer uma viagem pela Europa ou dar entrada em um apartamento. Todos podem dizer qualquer coisa. Você quer casar. Você teve o privilégio de encontrar o amor e quer mostrar pra todo mundo isso. Você é cafona, o amor é cafona. Você ama.
Abre um caderno e dá início à coisa mais cafona que você vai fazer na sua vida.
Começa a planejar seu casamento.
"Love is all, love is you"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Top 10- Músicas da década

O ano está acabando e resolvi fazer o top 10 das músicas que me marcaram nesta década. Ou na década passada. A década acabou ano passado? Enfim. As músicas que marcaram os últimos 10 anos. Sou uma pessoa superatarefada, mas encontrei um tempinho na minha agenda para mais uma listinha.
Quase não faço listinhas.
2000
Quer dançar - Bonde do Tigrão
Essa música tocou o ano inteiro em 2000 e encalacrou tanto na minha cabeça que toda vez que a ouço me vejo de shortinho e camiseta do bloco Chiqui Nu Úrtimu pulando carnaval na prainha. Não foi um bom ano.
Outra: From the botton of my broken heart (Britney Spears), Frenesi (Pixote- hahaha)
2001
Give me Love- Marisa Monte
Minha irmã, a Giovana e eu fizemos uma viagem para São Tomé das Letras com meu pai e lembro de ter ouvido muito essa música nas 10 horas em que passamos dentro do carro. Foi legal, mas quando voltei minha amiga Camila tinha morrido de acidente de carro.
Outra: Por Enquanto (Cássia Eller)
2002
Já sei namorar- Tribalistas
Esse cd foi lançado no fim do ano, mas só consigo me lembrar de matar aula do cursinho e sair de carro com minha colega Mariana ouvindo essa música pra paquerar os playboyzinhos ourinhenses.
Outra: O amor faz (Sandy & Júnior)
2003
Forever- Kiss
Vida nova em Marilia. Faculdade de Tradutor. Eu passando madrugadas comendo lanche, pizza frita, estudando e ouvindo essa música.
Outras: Toxic (Britney Spears) e Hey ya (Outkast)
2004
Spring Love- ?
Fui passar o reveillon em Ilha Comprida e lá virei dançarina de axé. Voltei morena do Tchan, ensinando todos os passos pras minhas amigas pra arrasarmos no carnaval. Sério, eu fiz isso.
Outra- Até o fim do mundo (Gurus)
2005
Razão de Viver- Roupa Nova
Porra. Eu comecei minha vida em 2005. O Emiliano chegou! Não poderia ser outra música senão a nossa.
Outra: Quando você passa (Sandy & Júnior)
2006
Bonde do Dom- Marisa Monte
Viajava nove vezes por semana pra acabar logo a faculdade. Três vezes de manhã, uma a tarde (pra fazer inglês) e cinco a noite. Em todas elas ouvia os novos discos da Marisa.
Outras: Pra ser sincero (Marisa Monte), Pensamento (Cidade Negra)
2007
Malemolência- Céu
Foi o melhor ano da década. Minha vida era demais! Morava com minha vó, baixava Lost toda quinta-feira, comecei a trabalhar e descobri que a Céu existia!
Outra: Liga pra mim (Mara Maravilha- lembro do aniversário de 1 ano do João)
2008
Somebody to Love- Queen
Minha irmã deu de presente pra minha mãe um dvd do Queen. Acho que ela nunca assistiu porque eu tomei posse dele. Estava depressiva e me identificava super com a letra: "Each morning I get up I die a little/can barely stand on my feet/take a look in the mirror and cry/ Lord what you´re doing to me?"
Outras: Play the game (Queen), I believe in miracles (Ramones)
2009
I kissed a girl- Katy Perry
Não, eu não beijei uma menina. Um dia vi esse clipe na MTV e resolvi baixar o cd, que é muito legal. Acho que já assumi faz tempo que sou cafona e popular, né? Já passei da idade de ter vergonha.
Outras- Titanic (funk que tocou no carnaval em ASB) e a música que o vizinho colocava pra tocar todo dia uma hora da tarde cujo nome não sei, mas é do gordinho que canta Beautiful Girl.
2010
Come together- Beatles
Esse ano foi dos Beatles. Comecei a gostar deles por causa do Emiliano. Ouvimos muito Kiss FM nas férias de janeiro passeando por São Paulo e foi bem legal. "Depois de um rock... sempre vem outro rock".
Outras- Something (Beatles), Let it be (Beatles), Billie Jean (cantada pelo calouro rouco do Seu Raul).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Politicamente Incorreto

A Revista TPM deste mês publicou um texto falando sobre infância politicamente incorreta, já que no passado não existiam preocupações que hoje aterrorizam tantas mães por aí.
Depoimentos de pessoas ligadas à revista contavam que tomavam café com leite e açúcar na mamadeira, acendiam o cigarro pra mãe e dormiam em bares boêmios. Houve uma IDENTIFICAÇÃO IMEDIATA de minha parte, pois minha irmã e eu provavelmente fomos as crianças mais politicamente incorretas dos anos 90.
Pra começo de conversa, meus pais eram supernovos e adoravam sair. Meu tio tinha um bar (boteco mesmo) e a família se reunia toda sexta-feira, fazendo com que eu dormisse dentro do carro por muitas e muitas madrugadas.
Aos domingos íamos na vó Ywone e enquanto a família conversava e brigava assistindo Os Trapalhões, eu sumia com meus primos, entrava escondido no SESI e andava de patins na quadra de basquete até o guarda chegar. Sem contar as festas de reveillons na casa das tias solteironas, quando saíamos de madrugava pedir "bom princípio de ano novo" aos vizinhos ricos. Minha tia uma vez levou um cigarro de menta, novidade na época, e adorei dar uma tragadinha e sentir aquele gostinho de bala. Aos 10 ou 11 anos.
A Mariana quando entrou na adolescência foi um caso especialíssimo a ser estudado. Forrou uma parede do quarto com recortes de revista e fugiu com 13 anos para São Paulo pra ver o show dos Ramones. Meus pais não deram a mínima... nessa época eu não lembro muito bem dela ficar em casa. Ela sumia e aparecia uns 3 dias depois pedindo dinheiro.
Quando íamos passar as férias em São Pedro era uma alegria. Aline e Edson SUMIAM pros bailes da vida e acordei muitas vezes sozinha em casa no meio da noite, já que a cidade era pequena e não oferecia perigo. Minha vó Irene promovia jogos do copo com os amigos adolescentes da Mariana, que apareciam 3 horas da manhã para fazer um lanchinho.
Mas o caso mais politicamente incorreto da minha infância aconteceu comigo.
Quando eu estava na terceira série, organizaram um concurso de dublagem na minha escola e minha mãe resolveu ensaiar eu e minhas amiguinhas. Poderíamos ter ensaiado Xuxa, Paquitas ou sei lá que grupo infantil tinha na época, mas é claro que mamãe ensaiou Paradise City, do Guns and Roses. Eu era o Axl e usava um shortinho de lycra amarelo, uma camiseta cavada e uma bandana com estrelas estampadas. Minha amiga Liliane era o Slash e minha mãe a despenteou e arrumou uma cartola. Pra completar o look, enfiou um CIGARRO na boca da menina. Lógico que todo mundo vaiou, inclusive minha professora do pré. Mas isso não nos impediu de ganhar, já que os jurados eram todos amigos e professores da minha irmã, que era a apresentadora do concurso. Esse foi meu maior trauma de infância e vocês não imaginam a dificuldade que tive pra descrever a situação.
Hoje em dia, assim como foi publicado na TPM, as preocupações são maiores ao ponto de uma simples mamadeira de café com leite e açúcar se tornar algo proibido para uma criança. O que posso dizer é que antigamente as coisas eram muito mais divertidas- e muito mais rock´n roll.

sábado, 11 de setembro de 2010

Só na malandragem

O twitter me impede de escrever mais vezes aqui... deixo pras horas de angústia, desilusão, esperança e bebedeira, que é o caso de hoje.
Acontece, minha gente, que tô com medo de viver o mesmo filminho do fim do ano passado. Eu tava esgotada e fiquei deprimida com tanta coisa, tanta angústia. Não conseguia levantar pra dar aula e não ficava feliz nos fins de semana. Claro que isso sarou depois de umas duas semanas de férias. Mas, vejam bem, estamos em SETEMBRO e ainda faltam 14 semanas pro fim das aulas! As pestes parecem não ver isso e enchem cada vez mais o saco.
Fora isso tem as eleições. Eu não faço a mínima ideia em quem votar pra senador e deputados. E tem os palha que falam que não podem votar nulo. É muita preocupação pra uma pessoa só.
Querem saber duma coisa? Vão todo mundo pra puta que pariu.
Vou continuar lendo meu livrinho de entretenimento, assistindo o Raul Gil e ouvindo minhas canções cafonas que meu mundo individual é bem melhor que os seus.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tempo

Eu gostava tanto de sentar em algum lugar aberto e sentir o ventinho batendo, o cheiro de fim de tarde, as nuvens formando chuva...
Gostava de comida quente, feita na hora.
Ouvir uma música e me sentir bem.
Dormir a tarde num dia frio.
Pensar no futuro e em como as coisas poderiam mudar pra melhor.
Beber coca-cola geladinha.
Sentar na calçada com minhas amigas e conversar.
Passear de carro pela cidade.
Tomar banho de cachoeira.
Ir pra Araraquara nas férias, ficar na Giovana, brigar com ela e com minha irmã.
Almoçar na tia Lice na quarta-feira, comer pizza na tia Melanie, fazer churrasco no SESI.
Gostava de conhecer uma coisa que ninguém conhecia e explicar como funcionava.
Chegar em casa depois do trabalho e implicar com minha vó.
Bolinho de carne da Izinha.
Lasanha da minha mãe.
Ganhar picolé de manga do meu pai.
Posso ainda gostar de todas essas coisas, acontece que o prazer de antes não existe mais. O frescor da vida, a vontade de fazer tudo ficar bem, das coisas darem certo, isso não há mais dentro de mim. E acredito que em cada um de vocês que envelhecem junto comigo o sentimento é parecido. Só não sei explicar por quê.
Eu gostava de ter saudade do Emiliano a cada fim de domingo, hoje não gosto mais.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Minha vida doméstica

Moro sozinha há 1 ano e 4 meses, e quem me conhece sabe que antes disso eu não sabia acender o fogão e esquentar água.
Ainda bem que a vida é uma constante evolução, porque agora já sei fazer algumas coisas. Apesar da preguiça, sei cozinhar um pouco. Faço arroz (empapado), macarrão, strogonoff (salgado), omelete (queimada), até fiz sopa de feijão uma vez, e o Emiliano disse que tava ótima.
Sei também limpar a casa, passar pano no chão, lavar o quintal, sei que não posso colocar teflon no microondas porque ele explode, tenho o telefone do mecânico pra quando mando trocar o filtro de gasolina, não encaixam direito e meu quintal quase pega fogo porque a gasolina escorreu. Sei de muitas coisas.
Mas de uma coisa ainda não sei: por que raios o meu chuveiro resolveu queimar numa segunda-feira. Não sei se tomo banho gelado ou se fico no pano úmido até o Emiliano chegar, daqui 3 dias.
Tem dias que odeio morar sozinha.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sobre o fim de uma era

Há mais ou menos quatro anos recebemos em casa a visita do Paulo, amigo da minha irmã. Além de seu violão, ele também levou os dvds da primeira temporada de Lost.
Já tinha ouvido falar algo sobre esse seriado, o Emiliano já tinha assistido alguns episódios e falou bem. Eu, como sempre, não queria assistir porque sabia que animais morreriam no decorrer da série. É incrível como as pessoas gostam de matar bichos em filmes e seriados! Detesto isso.
Mas naquela noite eu não tinha nada de melhor pra fazer, por isso resolvi sentar na frente da tv e assistir com eles o primeiro episódio. Começou ali um ciclo que só seria encerrado quatro anos depois.
Passei muitas quintas-feiras de 2007 tentando baixar episódios da terceira temporada, um verdadeiro sacrifício pra quem tinha internet via-rádio. Perdia horas e horas lendo o blog "Dude, we are Lost!" pra ficar por dentro de cada nova teoria que surgia. Cultivei uma paixão platônica por Sayid, meu pupilo (vamos combinar que o cara foi FODA até o fim!). Confesso que a espera pela quarta temporada me fez desanimar um pouco, por isso a partir de 2008 passei a esperar juntar uns 4 ou 5 episódios para assisti-los de uma vez. Não via a hora de chegar a tão comentada sexta e última temporada. E ela chegou.
Em meio a muitas críticas, vi Lost chegar ao fim, mas ainda esperei uma ou duas semanas para assistir. Queria ver junto com o Emiliano. Enquanto isso, ouvia e lia críticas e mais críticas. Mas resolvi não dar ouvidos a ninguém e, finalmente, assisti o fim de Lost, o fim de uma era, e quero também dar minha humilde opinião.
O que não foi explicado pra mim não interessa. Tô me lixando do por quê a estátua ter quatro dedos, não quero saber o que aconteceu com o Walt. Pra mim já tá mais do que explicado que o Walt seguiu sua vida normal fora da ilha e pronto.
As pessoas se focaram nessas banalidades e não viram quantas coisas lindas aconteceram. Quanta coisa boa os autores tentaram nos passar.
Eu gostei e foi além da minha expectativa. Chorei de soluçar por uns 40 minutos e só agora tô conseguindo falar alguma coisa sobre isso.
No fim das contas, tudo que a gente procura nessa vida, não importa qual caminho decidimos seguir, é o amor. O amor constrói laços, o amor destrói famílias, o amor basta para unir e desunir pessoas, o amor SALVA o mundo.
Penso eu que foi essa a lição que Lost quis passar a todos nós. Pelo menos foi o que eu consegui pescar, e me fez muito feliz.
Não tenho teorias pra ficar falando muito tempo sobre isso, mas quero dizer que tá aprovado e aconselho a todos a pegar leve na vida e em Lost. Afinal de contas, é só um seriado.
Um grande foda-se a todos que perderam noites e noites criticando e fazendo vodu para os autores da série.
Sosseguem seus corações, "all we need is love", Jack nos ensinou.