... e eu já não tô dando conta desse ano cheio de reviravoltas.
Sabe, gente, era pra ser um ano sabático.
Eu iria toda semana fazer drenagens linfáticas, massagens, limpezas de pele, todos os tipos de yoga, clareamento dental, depilação a laser, tratamentos ortomoleculares.
Ficaria o ano inteiro escolhendo a cor do bordado da toalha e a música da primeira dança.
Tomaria banho com pétalas de rosas e sal grosso.
Levaria os meninos ao petshop toda semana.
Hidrataria minhas madeixas.
Testaria novas receitas.
Cá estou.
Minha terceira mudança de emprego, minha eterna mudança de casa (que já está durando cinco meses), minha briga com os vizinhos chatos que não gostam de cachorros que uivam.
Vem ni mim, 2013, quero descansar.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
Para Águas de Santa Bárbara
No dia 02 de março de 2009 estava eu entregando todos os meus documentos na Prefeitura Municipal a um homem chamado Flávio. Dei minhas aulas de Oficina de Texto para as segundas séries e fui correndo pra minha nova moradia, pensando em tudo aquilo que estava acontecendo na minha vida. Era tudo diferente: cidade, escola, matéria, colegas. Estava assustada, mas ansiosa por tudo que estava por vir.
A adaptação, quase não vi. Aos poucos fui arrumando minha vida: manicure, depilação, alguém pra lavar e passar minhas roupas. Em um ano aquela já era a cidade que poderia viver pelo resto da vida. O tal Flávio da prefeitura virou Flavião, marido da minha amiga Japa. As colegas foram virando amigas. Vários bebês nasceram. As terapias em grupo foram crescendo. A cidadezinha ganhou cheiro de terra molhada (pela nascente de água que existe por lá) e sabor de chocolate (da Nina Bombons). Aprendi a cozinhar. Aprendi a lutar Muay Thai. Ganhei amigos na academia.
Mas paralelamente a isso, meu amor pelo Emiliano foi se solidificando e a vontade de ficar junto também crescia a cada dia. Comecei a ficar confusa, a por na balança essas duas coisas. Fiquei doente e não conseguia mais passar os fins de semana lá. Ganhei uma psicóloga muito legal, filha de uma também professora e amiga. E tudo isso me ajudou a tomar a decisão de hoje.
Dia 02 de março de 2012, pedi exoneração. Como disse Flavião, fui pro arquivo morto de Águas de Santa Bárbara. Não está sendo fácil, já dizia Kátia, a Cega (não a mamãe do Raul e da Rafaela). Parece que alguém morreu. Chorei tanto, pensei tanto se é um erro, se não é. Chego à conclusão que não, pois preciso seguir meu caminho, dar espaço no meu coração pra minha vida familiar entrar. Mas as amizades que ganhei por lá são especiais. Sempre vai ter um Fórum de Educação, um carnavalzinho, um churrasco (que eu mato se ninguém me chamar).
Obrigada, cidadezinha.
Obrigada, companheiras de ensino.
Obrigada, pessoal da academia.
Fecho um ciclo muito bonito hoje, no qual tenho orgulho de ter vivido.
Pra terminar, a última frase que ouvi de minha queria e sarcástica (ex) diretora- quem conhece a peça, vai dar risada!
"O AMOR FAZ MUITAS BURRICES"
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Sua vida já ficou, em algum momento, paralisada?
Eu não tenho medo de mudanças. Não fiquem preocupados com isso, pois já morei em tantas casas, tantos lugares, tive que fazer tantas amizades, me virar tantas vezes sozinha, que esse é o menor dos problemas.
Eu me adapto tão bem às coisas porque não tenho um habitat natural.
Só não posso (não consigo) viver sem:
-quatro cachorros
-um emprego
-um emiliano
Então, é assim: eu tinha quatro cachorros e um emprego. Agora só tenho um emiliano. Os quatro cachorros logo chegam até mim. O emprego está em outra cidade. E o grande ponto de interrogação prevalece e permanece em minha vida.
Espero voltar com ótimas notícias.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Eu não sou da sua rua
Pra falar a verdade, aos 28 anos ainda não sei de que rua sou. E nem sei se saberei.
Mas depois de velha me descobri emotiva, sentimental, saudosista.
Tenho saudade de algumas ruas às quais pertenci em algum momento da minha vida. Brinquei de queimada, namorei no portão, esperei a carona pra ir pra escola, passeei com um dos meus inúmeros cachorros, cheguei bêbada de madrugada.
O que sinto no momento é uma coisa inexplicável. Vou embora da rua que não é minha. Nunca foi, jamais será. Mas estou triste. A rua que não é minha vai me deixar um vazio.
Com ela deixarei uma parte da minha história que mal pude começar a contar. Parece que foi ontem que cheguei nessa rua. E já tô indo embora.
Pela primeira vez, estou indo por vontade própria.
Então por que estou tão chateada assim?
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Somos seis
Agora que a história da cinomose do Rock acabou bem, já posso contar minha aventura desta segunda-feira.
Marelo quando ainda tinha orelhas. Elas caíram quando ele teve doença do carrapato.
Pra quem AINDA não sabe, eu tenho quatro cachorros, todos vira-latas. O pai foi pego na rua pela minha irmã. Quando ele teve três filhotes, tive a brilhante ideia de querer ficar com todos. Somos seis, então, há quase sete anos: Marelo, Juninho, Rock, Leo, Emiliano e eu.
Segunda-feira saí da escola e fui direto pra Ourinhos internar o Rocambole. Ele estava com cinomose, segundo o veterinário daqui de Águas, então achei melhor levá-lo pra Adriana, que cuida dos meninos e nunca perdeu nenhum. E olha que dois deles já tiveram doença do carrapato duas vezes. O Emiliano achou melhor levar também os outros três pra vacinar, já que cinomose é uma doença contagiosa. E fomos.
Quando cheguei na porta da clínica me lembrei que esqueci de passar a coleira neles. Por sorte, elas estavam no carro. Iniciou-se o processo da vergonha. Eu com metade da porta do carro aberta, tentando enfiar a coleira no pescoço deles e eles gritando e uivando dentro do carro.
Entramos. Na porta da clínica havia uma jaulinha com uma gata e dois filhotes para doação. É lógico que o Marelo quis pegar os gatos. Puxei com força a coleira e seguimos. Os três saudáveis no chão, encoleirados, o Rock no meu colo e eu toda atrapalhada tropeçando nos cachorros e embaralhando aquele monte de cordas na minha mão. Cheguei no balcão e, enquanto a atendente preenchia a ficha, Juninho, o único saudável ali no momento e não-castrado, iniciou seu processo de marcar território. Deu uma deliciosa mijada no balcão de atendimento.
Juninho se deliciando na lama.
Fomos pra sala de espera. A veterinária demorou uma meia hora pra atender, pois estava em horário de almoço. Tinha duas meninas segurando um Lhasa Apso na mão, e aí começou a choradeira. O Lhasa queria brincar e ficava chorando, o Leo chorava de medo, pois sabia onde estava (já tinha estado ali no mínimo umas cinco vezes). Marelo, ao ver a ajudante chegando pra limpar mais uma mijada do Juninho, se enfiou embaixo da cadeira em que eu estava sentada e começou a latir sem parar. A dona do Lhasa foi mexer com o Rock, o que ele fez? Foi perto dela e deu uma cagada diarreiacomsangue. A menina só faltou sair correndo dali. Começaram a chegar os cachorrinhos de madame pra hora do banho, e quando as pessoas viam meus quatro vira-latas sujos de terra deitados no chão da sala de espera iam saindo de fininho.
Enfim, chegou a hora do atendimento. A Adriana é uma mestiça séria, não tem frescura nenhuma com os cachorros, tampouco com as palavras. Toda vez me dá bronca, porque sempre tem carrapatos nos cachorros. Mas eu já nem sinto mais vergonha, pois por mais que eu me esforce, dê banho e passe veneno, meu quintal tem terra, meus vira-latas gostam de cavar buracos e sempre que têm uma oportunidade fogem pra rua.
Rock tem medo de trovão e escala janelas.
Internamos o Rock e a veterinária começou a aplicar vacina nos que sobraram. Juninho, antes de receber a sua, deu mais uma mijadinha pra marcar território na sala de atendimento. Leo tomou tanta injeção nessa vida que nem se mexeu quando chegou sua hora. Marelo, como sempre, mordeu a Adriana.
Leo odiava humanos nessa época. Só ficava perto das flores.
Meninos medicados, voltamos pro balcão de atendimento para pagar a conta. Enquanto eu pechinchava, Juninho deu sua última mijada do dia, mais uma vez no balcão. Marelo olhava fixamente um dos gatos que mora na clínica. Este, por sua vez, retribuía da mesma forma o olhar fixante. Eu tava vendo os dois se pegando e o gato dando uma surra no Marelo, que não tem qualidade para duelar. Fomos embora dali, eu com dor no coração de estar sendo puxada por três coleiras somente. Passamos pelos filhotes de gato pra doação, que fizeram aquele sonzinho apaixonante de cobra (gatos assustados fazem som de cobra dando o bote). Voltei pra Águas, mas não sem antes o Juninho marcar território mais uma vez, desta vez na calçada da clínica.
Somos vira-latas, mas frequentamos o high society.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
28
Olha, fiz aniversário há quase uma semana. Programei dois posts, mas não tô a fim de colocá-los no ar. Só quero dizer o que aprendi nesses anos de vida e só tô me mancando agora.
Aprendi que na adolescência a gente sofre demais, ama demais, tudo é muito intenso e essa fase toda é uma mentira. Não somos tão magros, nem tão bonitos, nem tão legais. Somos apenas adolescentes que um dia crescerão, e as coisas vividas nessa época não farão o menor sentido mais tarde.
Não tenho mais tolerância pra fazer novas amizades. Não tento mais nada. Deixo fluir. Se a pessoa vira minha amiga, é porque o destino quis assim. Sorte a minha! Mas parei de querer tentar faz tempo. Não tenho saco pra abrir sorrisos, não tenho saco pra encontrar coisas em comum e tô fugindo de pessoas infantis.
Parei de querer agradar a todos. Se gostou, perfeito. Não gostou, palavrinha mágica que dá nome a esse blog.
Não perco mais saúde com problemas profissionais. Não vou choramingar nos corredores e tomar calmante pro resto da vida.
Foi grosso pra cima de mim? Não vou te dar um sorrisinho e fingir que tá tudo bem. Numa outra hora, quando eu já tiver esquecido disso, a gente se fala. Mas não vou ficar aguentando gente mimada que acha que nunca precisa pedir desculpas.
Me permito ser o que eu não era quando ainda achava que a vida fazia sentido. Olha, queridos, vou dizer: não faz. Então é seguinte, supera tudo e faz o que você acha que deve fazer.
Clara 2.8, por uma vida sem Rivotril.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Pratiquem exercícios
Quando algum dia pensei em dar um conselho dessa espécie? Até dois anos atrás eu nem sonhava em um dia poder dizer que eu sou uma pessoa saudável. Se bem que saudável não é bem uma palavra que me define, mas vamos falar de alcançar objetivos.
Sempre fui uma pessoa sedentária. Dos 7 aos 14 anos fiz aulas de ballet e jazz, mas desde que entrei na adolescência não me interessei por mais nada. Tentei capoeira, musculação, aulas de axé. Nada. Com o tempo desisti de tentar, até que com 22 anos comecei a engordar. Eu, que sempre fui magra, vi meu corpo se transformando em uma pêra. Minha barriga cresce pros lados, meu culote aumenta e isso é uma coisa horrivel de acompanhar!
Em 2009, morando sozinha, engordei mais ainda. Não sei ao certo o meu peso da época, mas estava uns 10 ou 12 quilos acima do ideal. Fui atrás de um tratamento para emagrecer em uma clínica. Sempre fui contra remédios, até antialérgico eu enrolo pra tomar, imagine sibutramina. O tratamento era caro pra cacete, mas dividi em 40 mil cheques e comecei a empreitada.
Como era uma clínica de estética, pensei que ia ganhar massagem, aplicar creminhos e um milagre iria acontecer. Quando a menina que me orientava me mandou subir na esteira e não sair dali em menos de uma hora eu quase morri. Era um absurdo alguém me mandar fazer algum tipo de exercício físico! Mas os cheques estavam nas mãos da dona da clínica, e com dinheiro não se brinca. Subi na esteira e comecei a andar. No fim do tratamento de 2 meses (3 vezes por semana de esteira, plataforma vibratória, drenagem, entre outras coisas) eu havia emagrecido 6 quilos. Não era muita coisa, mas me fez começar a gostar de exercícios. Sabe aquela sensação boa de dever cumprido? Então, estava sentindo aquilo. Por isso decidi me matricular na academia. Fiz 6 meses de Jump (coreografias em cima daquela caminha elástica individual) e estava adorando, mas as aulas passaram a ser uma vez por semana e isso me desanimou. Fiquei um mês parada e troquei de academia. Fiz musculação durante um tempo, mas aquilo era chato demais. Para minha sorte, em março começaram as aulas de Muay Thai. Achei que não fosse curtir, mas me identifiquei de imediato! Pra quem não sabe, Muay Thai é um boxe tailandês que trabalha braços, pernas, joelhos e cotovelos. Eu saio das aulas pingando de suor e morrendo de felicidade (quando a aula é extremamente boa). Fiquei satisfeita com meu corpo, mas com a síndrome do pânico engordei muito, estava muito ansiosa e tomei muitos remédios. Pra terminar bem, nas férias de julho eu bebi que nem um gambá e comi mais ainda. Voltei a ser gorda. Então, pra compensar, além do Muay Thai estou fazendo esteira e bicicleta.
Posso dizer que hoje não faço exercícios apenas para emagrecer, mas sim por prazer. Aprendi a gostar de ir pra academia, de me sentir um pouco saudável, de cuidar da minha saúde. Ainda não tenho o corpo que gostaria de ter, e penso que nem vou ter. Como porcarias, não tenho disciplina pra musculação e nem dinheiro pra ficar fazendo tratamentos estéticos o tempo todo. Mas minha vida ficou muito mais legal depois de fazer exercícios e eu fiquei bem menos encanada com meu corpinho de pêra.
Por isso, juventude, aqui vai meu conselho amigo: comecem cedo. Façam pelo menos um mês de esteira todos os dias. Treinem alguma luta. Dancem alguma coisa. O futuro vai agradecer.
Num tô linda, mamãe?
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